sexta-feira, 18 de junho de 2010

à boca fechada... (José Saramago - in memorian)

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi, Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
(José Saramago)

20 comentários:

  1. escritor bastante polémico, que chegou ao fim do seu caminho,no entanto vai permanecer junto de nós pelo seu legado
    beijinhos

    ResponderExcluir
  2. Bela homenagem, Kailene. E parabéns pelo belo blog! :) Boa semana.

    ResponderExcluir
  3. E parto no embalo do fim do dia
    Não levo bagagem para o viver dos sonhos
    Levo apenas esta força imensa
    Que ofusca até os seres bisonhos

    São tantos os caminhos que percorro 
    Neste infinito mágico há algo que senti
    O deslumbramento preso a um sorriso
    Gerado no...Feitiço que há em Ti...


    Doce beijo

    ResponderExcluir
  4. Acabou a caminhada aqui,mas começou outra.Ficam as suas palavras...

    Mas outros continuarão a dizer...

    Bela homenagem.

    Beijinho doce e espero a tua visita para dares a tua opinião naquilo que lá está:)

    ResponderExcluir
  5. Marcinha,

    Foi pena este Homem ter-nos deixado , pois,
    perdemos um premio Nobel ( português )mas, que felizmente nos deixou um grande " legado " para as gerações vindouras.

    E por cortesia , aí vai :


    Tempos


    Eu sempre soube da verdade em teus olhos.
    O que eles me disseram mantive guardado,
    fora do alcance das conversas.

    Havia um tempo em que a despedida
    principiava um outro encontro,
    escondido dos olhos e das conversas.

    Havia um tempo com um doce cheiro no ar
    de todos os perfumes.
    Uma busca constante do olhar,
    um gosto a mais nas coisas...
    Era batom!

    E era depois a pele,
    o deslizar dos cabelos,
    o afago das mãos...

    A casa cheia de nossas conversas,
    dos modos, das esperas e demoras.
    Uma vida em tantos acordar!

    Era por fim um outro olhar,
    sem mais as mesmas verdades
    (embora nunca mentiras).
    Mas sem as mesmas respostas.

    Outras vozes agora falam no nosso silêncio.
    Mudamos os rumos,
    os olhares,
    o sentido da conversa.

    Celso Brito


    Nota: suponha que gostas da minha resposta .

    Beijo

    ResponderExcluir
  6. Esta ilha não tem fortuna
    Trocou-a por um curioso mistério
    Este irreal e intenso verde
    Que inunda o olhar mais sério

    Nesta ilha há um beijo na tua procura
    Nesta ilha as pedras não têm idade
    Nesta ilha as juras são lançadas à maresia
    Nesta ilha o sonho é janela da verdade

    Doce beijo

    ResponderExcluir
  7. vim ver as novidades
    deixo um beijinho

    ResponderExcluir
  8. Passando por aí, cheguei aqui neste cantinho lindo, repleto de coisas meigas, sinceras e profundas...

    Muito gostoso teu espaço...

    bjs Ta
    tatapalavrasaovento.blogspot.com

    ResponderExcluir
  9. Sonhei
    Com mares, com uma longa travessia
    Desfraldei uma vela alva
    Naveguei na chegada, na partida morria

    Sonhei que era um cavaleiro andante
    Por dias de inquietante perdura
    Avistei um vagabundo num espelho de água
    Era a minha alma talhada em pedra fria e dura

    E fui criança de esvoaçante riso
    Pássaro embriagado pela cor
    Busquei em gestos enlouquecidos
    Aquilo que pensava ser o amor

    Doce beijo

    ResponderExcluir
  10. Fiz magia com todas as cores que tinha
    Fiz aparecer na tela um tocador
    Pintei-lhe um violoncelo a preceito
    Mas ele não sabia tocar uma música de amor…

    O amor nunca acontece sem amor
    Esta coisa do amor será fantasia?
    Será uma noite vestida de nostalgia?
    Será planta envergonhada que floresce ao fim do dia?

    Seja o que for, tem o nome de amor
    Acho bem que seja assim
    Há quem diga que se enraíza para sempre
    E floresce como planta de alecrim

    Doce beijo

    ResponderExcluir
  11. Olá..

    José Saramago não disse tudo... Continua dizendo...

    Me instlei aqui porque encontrei uma casa linda e as portas estavam abertas...

    Abraços :)

    ResponderExcluir
  12. Lindo :) sempre gostei bastante de Saramago!

    ResponderExcluir
  13. Sonhei com uma estrela do céu
    Sonhei-a vivendo no meio do Mar
    Sonhei com a verdade de uma palavra
    Soletrei sete vezes a palavra amar

    Neste sonho vi uma árvore triste
    Pensei em sete coisas impossíveis de fazer
    A primeira era voar com as nuvens
    A ultima sobre as águas de um Lago correr

    E vi pássaros de cores nunca vistas
    Refulgentes lírios de ouro de lei
    Apenas uma hortênsia me pareceu ali perdida
    Vi palpitantes borboletas e o coração calei

    Mágico beijo

    ResponderExcluir
  14. São de açúcar os sonhos de uma criança
    São de algodão as nuvens que vi esta manhã
    São de sal os diamantes do colar que te dei
    São verdadeiros os sentimentos que pareceram palavra vã

    Uma boneca de olhos que abrem de espanto
    Um cavalo de madeira perdido do carrossel
    Um cálice cheio de berlindes de vidro
    Uma mascara de palhaço pintada a pincel

    Um pião que ganha vida
    Uma corda para saltar bem comprida
    A trotineta jaz num canto partida
    Um coração recorda uma dor esquecida
    Doce beijo

    ResponderExcluir
  15. Este pensador, viajeiro entre Sois
    Esta Ave pousada em mil embarcações
    Esbarco que passa sem vela ou remo
    Esta arca repleta de vibrantes emoções

    Esta mestiça flor de açafrão
    Este ramo de espinhos cravados na mão
    Esta alma que não ousa largar opinião
    Este homem vestido de solidão

    Boa semana

    Doce beijo

    ResponderExcluir